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Literatura / Decio Oliveira | |||||||||||||||||||
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JOÃO CANDIDO
os mares da ignorância e do preconceito a bordo da armada uma multidão de passos tristes aguarda.
João! Aponta teus canhões pra nossa dor e desfaça o medo do povo Banto À uma ordem tua a chibata cessara seu canto.
Até quando esse povo guerreiro dormira? Até quando essa gente escura, de sua imponderável força, prisioneira será.
Se difícil é humano ser, Mais difícil é ser negro humano. Preparemos a trincheira da resistência com o nosso intelecto, pois a próxima batalha será na consciência.
Até vergonha de África nos fizeram ter, melhor seria, como no argênteo país, se deixar abater. Porém, das cinzas do preconceito, ressurge a Fênix negra, mirando seus canhões exigindo respeito.
Escrito por Decio Oliveira às 17h09 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] O Passo da Queda Como a seta que silva por entre as folhas e atinge o cerne da verdade, o veneno do animal mais baixo, traiçoeiro, pleno de maldade, bloqueia o avanço do sonho. Lavado o sangue desse caminho. Sendo que na diacronia do tempo, apenas o que for real pesiste e sempre insiste. Escrito por Decio Oliveira às 10h51 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] LITERATURA AFRO-BRASILEIRA LANÇAMENTO DOS CADERNOS NEGROS DIA 17/12/2010 GALERIA OLIDO NA AV. SÂO JOÃO Marco principal da literatura Afro-brasileira em São Pauo, noite em que vários autores estarão declamando seus trabalhos e falando sobre a poesia dos afros-decendentes. Escrito por Decio Oliveira às 13h52 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Guerreira africana À minha mais querida flor Não vou rimar, se puder Nem com amor, dor ou cor Ou outra razão qualquer.
A mina mais querida flor Tem os olhos da savana Tem o golpe certeiro as catana A minha mais querida flor É guerreira africana. Escrito por Decio Oliveira às 13h51 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] O instande de um olhar Lá vai um homem e sua mochila. Carrega o peso do mundo em sua sacola. Vida sofrida ainda mais. Suas mãos grandes, não tiveram escola.
Lá vai um homem arcado, o peso das preocupações marcaram fundo o semblante de um mundo. Covas salientes realçam o entristecido olhar, lá vai um o homem e seu caminhar
De pele bronzeada e o jeito bruto, lá vai o matuto, caminhando num marasmo, como se fora prum cadafalso.
Já toa com um bar e já sem o brilho no olhar uma pinga, cansado, senta na sarjeta a pensar Se vale a pena existir ou simplesmente morrer.
Escrito por Decio Oliveira às 12h26 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] CARNAVAL
Meu canto é a voz de um povo calado, de tanta labuta, esquecido. Canto de uma alegria simples, da mesa de um bar, esse canto que tira uma rima prum samba do verbo amar. Canto as dores dessa gente, dores relembradas no samba de roda. Na batida surda dos tambores. No gole da cachaça. Essa mestiça gente, fruto maduro do histórico estupro europeu, e hoje micigena a ação de justificar o imponderável. A nossa cor.
Essa gente dança e sorri e ainda faz um carnaval, fenômeno essencial da nossa ilusão. Esse meu canto sopra pelos vãos, entre as mesas dos botecos, pelas confidências das palavras da sedução em meio as noites suadas da tranca.
Negremos o alfabeto invertido da ideologia, teimando em calar a voz dessa gente. Metaforizemos essa mula manca criada pela perversa euro pele branca.
Se nas quebradas minha negra voz é sentida, na cidade essa roupa é excluída. Assim segue meu canto, a principio de dor, mas também de amor, por essa gente bendita, que as vezes segue aflita, esperando chegar fevereiro pra passar o ponto do sonho e por alguns minutos, ganhar o mundo inteiro.
Esse canto ecoa pelos cantos, é longe disparado, e trás de volta os pés descalços dos negros, o pé do escuro è mais uma dor se vai, e de qualquer maneira são cinzas, chega a quara-feira.
Escrito por Decio Oliveira às 10h52 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] À Rosa cor de Rosa Te posso ver, por entre as palavras da minha poesia.
Escuto o arfar do teu coração quando entro na canção do teu suor.
Apenas, o pão é pouco, assim, saio como um louco madrugada afora pra não deixar-te, ver, a minha lagrima.
Escrito por Decio Oliveira às 11h12 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Falso Espelho Fiz-me um para ser outro, Saí de mim para ser alguém normal deveria ser sempre assim? E em cada lampejo dessa fuga entendia menos essa sina. Vejo hoje o coração humano, arfar sob o peso do sonho, sonho de ser livre e quanto mais durmo nesse embalo, mais alieno esse pensar.
Já vivo no mundo do outro, feito pelo outro. E será que só a globo aponta esse norte? E de dentro dessa minha preta pele, apenas o sonho trás a liberdade, e a angustia de ser construído por outro, europele. Escrito por Decio Oliveira às 10h02 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] RAP INACABADO Atravessar a cidade, 14 de maio, uma aventura Vejo os meninos da favela, Quase todos negros, indo pra escola Uma escola de favela, que antes era mato. Lá ensinam a ser comportado, desempregado, conformado, Mas o sangue fala mais alto.
É nóis.
No caminho aprendo a capoeira, a ginga pra vida.Também é sensual, ginga e seduz, finjo que vou e saio, fujo e ataco Meu dinheiro vem do tráfico, trafico idéias, vendo sonhos Sou um escritor de paredes, madeiritis, papelão.
Meu lar e um barracão.
Repper da escuridão A batida forte do tantan Bate no coração Bate na cabeça dessa gente O rap não fala só palavrão Fala da dor dos esquecidos e só lembrados
Na eleição
Por políticos mentirosos Que querem apenas nosso votos Depois somem, só vemos sua cara na televisão Suas caras gordas, não é a cara do povo A cara do morro, a cara da malícia, pois Enfrento todo dia, a cara da policia Bala por todo lado Não existe traficante velho Foi zerado antes.
Deletado.
pois é, se o trafico existe Porque existe quem precisa A ótica tá ao contrario Pra acabar com esse drama social E de importância capital Não é matando, enquadrando, O traficante, é preciso fechar na origem
O mal
Seque a fonte O rio não corre mais, desaparece. Essa água nasce no Morumbi E alimenta o rio ao lado.
Ta falado
Também tem a água que leva o barraco Porque chove e chove sempre E falam do meio ambiente Desse povo que nem casa tem São enganados por gente de bem
Moradia? Nem vou falar, pois não quero me estressar. Programado pra morrer nois é.
Essa gente, metade desempregada Outra metade vivendo de bico Mão de obra barata, Pra uma sociedade Maior interessada E la na paulista, não contrata o morador Pela sua cor, preta , por morar no Capão E não é muito fácil não. Escrito por Decio Oliveira às 11h52 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Jardim desfolhado
Antes desse jardim, cultivamos o amor Na busca incessante de uma vida melhor A vista de todos colhemos a primeira flor Como a luz do sol nascente, Apenas um dia durou Rogamos ao criador, força para prosseguir Onde a luz se apagou, apenas lágrimas Livres, soltas a fluir do coração Imantadas de dor desse amor Numa prece dura, voltaste à essência Adeus
Tomas novamente a condução da vida Hoje interrompida, renasce a alegria Imolamos a angustia sentida com esperança renovada Antes desse encontro marcado pela esperança Guardemos, querida, nossa dor Oxalá está atento
Andemos partindo todas as pedras do caminho Livres como o vôo do condor E entre os soluços das quedas e os risos do levante Xamega a volúpia do amor no fogo da paixão Antes da lida, uma oração Nasce antes do sol levante, do coração Divinizando o trabalho, o caminho, nossa união Rir sempre que possível, pois o riso Aumenta nossa resistência.
Façamos dessa caminhada nosso trunfo Estancar lagrimas também fará parte da jornada Livres, como o vôo do pássaro seguimos juntos Imantados pelo amor, essa união Prenhe de esperanças e a certeza Entre os espaços do segundo a contar o tempo
Guardemos em nosso olhar o perfume Adocicado dos dias difíceis que transpomos Brandindo esse sentir e suportar as diferenças Rumo às estanques plagas de sonhos protelados Intimas esperanças guardadas no fundo d alma Estilhaçadas pela lida da rotina Livres, porém nosso ensangue coração
Escrito por Decio Oliveira às 09h05 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] Nosso Canto Sem chorar A dança de angola Vai começar Ginga pra cá Ginga pra lá
Quanto de ginga Devemos ter Pra não esquecer Esquecer do quê?
Do capitão do mato E dos antigos Que não puderam ver Ver o quê? A ginga na mente A ginga nos atos Da dança perdida Quase esquecida Pedagoginga Da capoeira Dança pra vida
Ginga pra cá Ginga pra lá Ginga em tudo Na mente Na fala No corpo Na cara Mudemos a voz O riso no corpo Cantemos a noite É nóis.
E ginga de novo E ginga pra cá E de novo pra lá Chegamos aqui E vamos mais Não se pode parar Sempre fizeram Branquelear E ficamos aqui Resistimos E vamos gingando. Escrito por Decio Oliveira às 22h59 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] OFICINA AFRO-CAIEIRAS PROCURAMOS QUEM ESTIVER INTERESSADO EM PRODUZIR UM VIDEO SOBRE NOSSA COMUNIDADE. QUEM SE INTERESSAR ENTRE EM CONTATO. ORKUT - Oficina Afro-Caieiras Email - décio.de.vieira@itelefonica.com.br Blog - deciooliveira.zip.net Tel: - 011-44411980 - 91617912
Escrito por Decio Oliveira às 14h11 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] EX CRIANÇA
O cheiro adocicado dos jambos maduros enchia ar, o sol do verão aquecia nossas tardes, corriamo e pulávamos os monturos, antes da descida pro campinho, uma parada na chácara do seu Rufino, arrancada as botas, trepávamos nos pés de jabuticabas carregados com o doce perfume da fruta, aberta, pelo roçar dos bicos duros dos passarinhos, comíamos assim mesmo, lambíamos o mel da tez negra aberta, fascinados pelo cheiro forte, era a saída da escola,. Éramos sempre os primeiros, todos os dias algazarra da molecada ensurdecia a rua, e no campinho de futebol, terminávamos o dia, jogando gritando, cantando e na saída das turmas da escola, todos passavam e alguns paravam pra assistir, as meninas com os uniformes azuis e camisetas brancas, sempre mais cuidadosas, é claro que ao chegar em casa, a bronca estava armada. “Olha o uniforme todo sujo, se tem empregada aqui?” E nova bronca. “Seu pai vai saber, vais tomar uma surra”. Todo dia a mesma coisa, até que fui aprendendo a melhorar. Duro era agüentar a zuação dos meninos da escola, meu carapinha, não havia pente que entrasse, e já viu! Depois do jogo, parecia um espantalho preto e sujo. Às vezes na escola, nenhum menino queria me pegar na mão, na hora do recreio, mas eu nem ligava, a pro também não, emburrava e não cantava o hino. Mas naquele dia foi diferente, por isso comecei a sair do jogo. Decemos correndo pra mais uma pelada, um calor da murrinha, combinamos chegar rápido ao campo pra ficarmos mais tempo jogando, começamos rápido, e bola vai, e bola vem, xingo pra todo lado derrepente, parei, vinham descendo vários garotos e um bando de meninas mais atrás, dentre elas a Marilin, ouvíamos as vaias, o vento quente volve por entre as saias, deixando clara sua pele, morena, cor do jambo suado, meu comboio de cordas, acelerava, batia já na boca, as pernas tremiam, se misto de fome e sede não sei, alguns segundos, o suor quente já escorria fronte afora, na cabeça, os pensamentos embaralhavam, não conseguia pensar, o ar faltava , Marilin com as mãos na saia para que o vento não levantasse, gravou na minha retina pois já falava mais forte a melanina bendita...Assim fui deixando o campinho, coração em desalinho e saltando pra vida. Escrito por Decio Oliveira às 10h55 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] VIVO
Surge o verso a tanto reprimido, a palavra arbitrária já trás o sentido há muito querido. Desfaz a noite sem som, renasce o signo com o desdobro infinito Nossa cara preta, finalmente é vista, não com a peja do maldito sofrer, mas com o brilho bendito do querer ser.
Desfez o não saber, errantes já não somos, encontramos o norte da liberdade, o poder, vemos quem o abraça. e se outrora fomos a caça Gingamos, dançamos e no canto libertador, transformamos-nos em caçador. Escrito por Decio Oliveira às 22h51 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] O Limite do Não O limite do não foi um tiro no peito Gandhi, ajoelhou com a flor de sangue Esboroando se pelo espaço.
Malcon, seu discurso forte incomoda A elite, dona da violência E seu caminho aborta.
Zumbí, arauto da liberdade Também foi calado O decreto da maldade atravessou os mares. O tan tan, virou um fado.
Luther King, sua voz ecoou pelos corações E sob a mira da escopeta, Seu fim foi selado, Seu sonho, virou nossa meta. Escrito por Decio Oliveira às 17h19 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] |
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